A tortura – suplÃcio ou tormento violento infligido a alguém – é inaceitável em qualquer situação. Durante os governos dos presidentes militares, nunca soube e nunca presenciei atos de tortura.
Após a anistia, o retorno dos militantes esquerdistas exilados e dos que viviam na clandestinidade, totalmente livres, desembaraçados e sem restrições para o exercÃcio de qualquer atividade; o restabelecimento de eleições e a sucessão de vários presidentes da República civis – Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula –, esperava-se que as Forças Armadas e o militares não sofressem restrições. Lamentavelmente, sofrem, e muito, como se todos os seus integrantes tivessem cometido crimes e tivessem sido condenados a penas perpétuas.
Talvez, só uma visão ideológica ou o total desconhecimento da história possa explicar por que pessoas corretas e bem-intencionadas insistem em pichar nossos presidentes militares como monstros e, ao mesmo tempo, veneram ditadores reconhecidamente sanguinários. Expressões pejorativas à s Forças Armadas continuam sendo utilizadas, até por professores de escolas de primeiro grau, em que jovens alunos, idealistas e interessados na verdadeira história do paÃs, convivem com "porões da ditadura", "anos de chumbo", "preso e torturado", etc.
Um ex-militante esquerdista pode ser ministro de Estado de qualquer setor, mas um oficial-general do último posto, da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, com mais de 40 anos de estudos dedicados à defesa do paÃs, de extrema e reconhecida competência, não é designado ministro da Defesa. Em seu lugar, designa-se um polÃtico civil, à s vezes brilhante e competente, mas desprovido de qualquer qualificação para tão importante cargo.
Acusam as Forças Armadas de dificultarem a divulgação dos arquivos da ditadura – eles estão e sempre estiveram à disposição de todos os interessados, dentro das normas legais –, mas não revelam quem mandou e quem matou o capitão norte-americano em São Paulo; quem mandou e quem executou o atentado contra o general Costa e Silva, no aeroporto do Recife, que estraçalhou uma pessoa; quem planejou o envio de militantes para realizar o curso de guerrilha em Cuba, qual a finalidade do curso e quais foram os alunos; quem planejou a guerrilha do Araguaia, qual a finalidade e quais foram os militantes para lá enviados.
A moda é afirmar que fulano foi preso e torturado pela ditadura, devendo somente o acusado apresentar as provas de que não torturou, bastando à suposta vÃtima tão somente a acusação. Repito, a tortura é inaceitável em qualquer situação, mas a acusação deveria apresentar provas, com testemunhas imparciais, e revelar, também, o que a vÃtima fazia antes de ser presa e por que foi presa. Finalmente, as indenizações concedidas, por lei, aos "presos e torturados pela ditadura", não deveriam ser igualmente pagas à s famÃlias dos pracinhas civis convocados e mortos na Segunda Grande Guerra Mundial?
Se os membros designados para compor a Comissão da Verdade buscarem , de fato, a verdade, eles estarão cumprindo muito bem a sua honrosa missão. E a pátria, certamente, ficará agradecida.









