Está cada dia mais difÃcil convencer os jovens de que a democracia vale a pena.
O Congresso Nacional tem se esforçado para tomar o gasto de uma montanha de dinheiro público para manter a representação popular, se o que lá é produzido varia de escândalos a verdadeiros shows de despreparos e ineficiência. Já é expressivo o contingente de leitores que não provaram o gosto amargo da falta de liberdade de pensamento e de ação e não fazem idéia do tamanho do atraso na educação e na construção de uma sociedade mais justa - ainda não superado - que nos foi imposto pela ditadura. Mas em apenas uma semana a Câmara dos Deputados foi capaz de oferecer duas razões para manter o desinteresse dos Jovens pela polÃtica e justificar a preferência da maioria da opinião pública pelos dramas da telenovela pela vibração do futebol.
Incapazes de debater como adultos e aprovar como pessoas responsáveis qualquer coisa seria sobre a qual o governo não tenha ordenado como votar, os representantes do povo não conseguiram fazer andar o projeto do novo Código Florestal. O relatório errático e tardio (atrasou 10 horas a sessão) do deputado Aldo Rabelo (PCdoB-SP) só fez esquentar o show de despreparo e de baixarias que deixou a cidadania perplexa com tamanha confusão. A começar pela equivocada divisão da raça humana em duas espécies antagônicas - ambientalistas e ruralistas -, tudo parecia sem sentido, uma tremenda perda de tempo e dinheiro.
Mas mesmo quando votam com convicção e em caráter conclusivo, os deputados nem sempre produzem matéria digna do carimbo do avanço institucional ou de real contribuição ao bem estar social da população. Foi o caso do projeto aprovado em poucas horas, em janeiro, e que aumentou de R$ 165 milhões para R$ 265 milhões a transferência de dinheiro do povo para o fundo partidário, para pagamento das dÃvidas da campanha eleitoral de 2010. Agilidade quase igual se verificou na terça-feira, quando a comissão de constituição e justiça (CCJ) da câmara aprovou sem pestanejar mais uma obra-prima. A menos que o presidente da República vete, os fabricantes de roupas Ãntimas terão de afixar nas peças uma etiqueta dita educativa. As cuecas, já serviram para o transporte de dólares, agora vão alertar os marmanjos sobre a importância do exame de próstata. As calcinhas lembrarão os preservativos e os exames de colo do útero. E os sutiãs vão aconselhar o auto-exame dos seios, á procura de sinais de câncer.
Não se sabe de onde tiraram inspiração para tamanha e nem por que se empenharam tanto na sua aprovação. Mas, se querem ajudar, melhor fariam se aprovasse um corte de apenas 5% nos gastos do Congresso com mordomias, vantagens, excesso de funcionários e viagens, destinando essa economia à recuperação de mais de uma centena de mamógrafos desativados em hospitais públicos, por falta de peças e de gente qualificada para operá-los. Sem a necessidade de tirar mais dinheiro da sociedade por meio da CPMF, essa seria uma maneira de voltar a ficar de frente para a realidade da população, que precisa mais de recursos do que de etiquetas e avisos.
JORNAL ESTADO DE MINAS
Domingo, 15 de maio de 2011 - Pag 8
Caderno: Opinião









